Tuesday, October 21, 2008

Trevor Huddleston's Translation

Sophiatown was a slum. Those of us who have lived there would never wish to deny that. We have seen with our own eyes the heroism of so many of our Christian people in their environment. It would be treason to them to deny that Sophiatown was a slum. But slum conditions can be removed without the expropriation of a whole area. Indeed the greatest experts in town-planning would agree that only in the last resort should you uproot people from the place they know as home: for in such uprooting you destroy not only the fabric of their houses, you destroy a living organism - the community itself. Sophiatown, then, could have been replannned and rebuilt on the same site: a model African suburb. It could have been, but for the pressure of three things. First, the pressure of white opinion and the political force it represented; secondly, the existence of freehole tenure, and the treat of permanence which it implied; thirdly, that which underlies every event of any racial significance in South Africa: the assumption that white "civilisation" is threatened by the very existence of an African community in any way similar to itself. The African in the kraal is in his right place: so is the African kitchen. But the African in a "European" suburb, in "European" house which he himself owns and is proud of: he is a menace: he must be removed.
Trevor Huddleston
Sophiatown é um bairro de lata. Nós que vivemos lá nunca pensaríamos em negar isso. Temos constatado com os nossos próprios olhos o heroísmo do nosso próprio povo cristão inserido no meio ambiente deles. Seria uma deslealdade, eles negarem o facto que Sophiatown é uma “favela”. No entanto, as condições vividas neste tipo de bairros podem ser retiradas sem a expropriação dum bairro inteiro. Na verdade, os melhores profissionais em urbanismo estariam de acordo, só em última hipótese desenraizar os habitantes do bairro considerado o seu lar: pois tal desenraizamento destrói não só a essência das suas casas, como também se acaba com um organismo vivo – uma comunidade inteira. Sophiatown, portanto, poderia ser requalificada e reconstruída no mesmo sítio: um modelo suburbano Africano. Poderia ser, caso não levantasse a pressão a três pormenores: Primeiro, a pressão da opinião dos caucasianos e a força que representaria politicamente; segundo, a existência da propriedade ténue, e da ameaça de permanência que tal implicaria; terceiro, reforça qualquer evento racial significativo na América do Sul: a assumpção que a “civilização” do homem branco é ameaçada pela existência de quaisquer semelhanças com a comunidade africana. A condição de africano dentro de uma cabana está no lugar certo: tal como o africano dentro da cozinha. Mas o africano dentro de um subúrbio “europeu”, dentro de um lar “europeu”, propriedade dele próprio: ele torna-se uma ameaça: ele deverá ser removido.
Jorge Correia Orfão
Sophiatown é um bairro de lata. Nós que vivemos lá nunca pensaríamos em negar isso. Temos constatado com os nossos próprios olhos o heroísmo do nosso próprio povo cristão inserido no meio ambiente deles. Seria uma deslealdade pura, eles negarem o facto que Sophiatown fosse uma “favela”. No entanto, as condições vividas neste tipo de bairros podem ser retiradas sem a expropriação dum bairro inteiro. Na verdade, os melhores profissionais em urbanismo estariam de acordo, só em última hipótese desenraizar os habitantes do bairro considerado o seu lar: pois tal desenraizamento destrói não só a essência das suas casas, como também se acaba com um organismo vivo – uma comunidade inteira. Sophiatown, portanto, poderia ter sido requalificada e reconstruída no mesmo sítio: um modelo suburbano Africano. Poderia ter sido, caso não levantasse a pressão a três pormenores: Primeiro, a pressão da opinião dos caucasianos e a força que representaria politicamente; segundo, a existência da posse ténue, e da ameaça de permanência que tal implicaria; terceiro, subjaz qualquer evento racial significativo na África do Sul: a assumpção que a “civilização” do homem branco é ameaçada pela existência de quaisquer semelhanças com a comunidade africana. A condição de africano dentro de um curral está no lugar certo: tal como o africano dentro da cozinha. Mas o africano dentro de um subúrbio “europeu”, dentro de um lar “europeu”, propriedade dele próprio do qual se orgulha: ele torna-se uma ameaça: ele deverá ser removido.

Jorge Correia Orfão

(reviewed by: Hilary Owen)



No comments: